
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) denunciou integrantes de uma facção criminosa suspeitos de planejar o assassinato do delegado Luciano Augusto, titular da 85ª Delegacia de Polícia Civil de João Câmara, na região Agreste potiguar. Segundo a denúncia, uma advogada teria atuado como intermediária entre o líder da organização, preso no sistema estadual, e os membros que estavam em liberdade.
De acordo com as investigações, a profissional utilizava a prerrogativa de visitas a presídios para repassar ordens relacionadas ao tráfico de drogas, ataques criminosos e à execução do delegado. O plano teria sido motivado pelas sucessivas operações policiais realizadas pela Polícia Civil em João Câmara e cidades vizinhas, que vinham causando prejuízos financeiros à facção.
A célula criminosa integra o chamado “Sindicato do Crime” e atuava principalmente nos municípios de João Câmara e Caiçara do Norte. As provas reunidas pelo MPRN incluem mensagens encontradas em celulares apreendidos durante operações policiais. Os aparelhos continham conversas detalhadas sobre o funcionamento da facção, divisão de tarefas e estratégias para dificultar a atuação das forças de segurança.
Segundo a denúncia, o líder do grupo, José Eduardo Souza de Lima, comandava as ações de dentro da prisão. As ordens eram transmitidas pela advogada aos comparsas, garantindo o funcionamento da estrutura criminosa mesmo com a chefia encarcerada.
Plano para matar delegado
As investigações revelaram que os criminosos buscavam adquirir fuzis para executar o atentado contra o delegado Luciano Augusto. Nas mensagens interceptadas, a morte da autoridade policial era tratada como prioridade para permitir que o tráfico voltasse a operar sem pressão policial na região.
O grupo também mantinha regras rígidas de segurança digital. Entre as determinações estavam apagar conversas, usar senhas complexas e evitar entregar celulares desbloqueados em abordagens policiais. O objetivo era impedir o avanço das investigações e proteger integrantes da facção.
Além do tráfico, a organização impunha punições conhecidas internamente como “brecamentos” contra moradores e criminosos que descumprissem ordens da facção. Fotografias encontradas nos celulares mostravam armas de grosso calibre, munições e drogas prontas para comercialização.
Durante a operação que desarticulou a célula criminosa, diversos materiais ilícitos foram apreendidos. Segundo o MPRN, os investigados já possuíam antecedentes criminais e alguns se declaravam integrantes da facção em registros do sistema prisional.
Ao comentar o caso, o delegado Luciano Augusto afirmou que as ameaças surgiram após o grupo sofrer prejuízos financeiros provocados pelas ações policiais.
“O principal investigado e líder da facção passou a sofrer grandes prejuízos financeiros e viu seus familiares também serem alvos de medidas cautelares. As forças de segurança do Estado tomaram todas as medidas de segurança pessoal para mim e toda a equipe. Ameaças e planos de execução jamais farão com que deixemos de combater o crime”, declarou o delegado.
Após a descoberta do plano, o líder da facção e um irmão dele foram transferidos para o sistema penitenciário federal.
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